Categoria: Tecnologia

A preocupante tecnologia que rejuvenesceu Tom Hanks no filme 'Here'

Publicada em: 10/07/2024 15:27:08   |   Fonte: Nicholas Barber Role / BBC Cultura

Publicada em 8 julho 2024

No novo filme estrelado pelo veterano Tom Hanks, Here, ele e Robin Wright parecem adolescentes novamente. Trata-se do mais recente uso de tecnologia com possíveis consequências danosas e de longo alcance.

Here se passa no futuro distante, no passado distante e em todos os períodos de tempo no meio disso.

Dirigido por Robert Zemeckis e adaptado da graphic novel de mesmo nome de Richard McGuire, ele salta pela história de um pedaço de terra, visto de um único ponto de vista ao longo de muitos milhares de anos. A maior parte, no entanto, é sobre as décadas em que a área faz parte da casa americana de um casal interpretado por Hanks e Robin Wright.

Para os fãs de Forrest Gump (1994), o aspecto mais significativo do trailer, que estreou na semana passada, foi a reunião do diretor Zemeckis com duas de suas estrelas.

Mas tão notável quanto foi o rejuvenescimento digital que permitiu que Hanks e Wright interpretassem os personagens desde a adolescência.

Hanks, agora com 67 anos, aparece magro e de rosto fresco, com uma espessa cabeleira encaracolada, tal qual como ele era em Splash Uma Sereia na Minha Vida e A Última Festa de Solteiro (1984), há muitos anos.

E se Zemeckis consegue esse efeito em Here, quanto tempo levará até que tal rejuvenescimento seja tão comum quanto usar tintura de cabelo e maquiagem para tirar alguns anos da idade aparente de um ator?

Zemeckis sempre teve um fascínio por como as pessoas e os lugares mudam ao longo das décadas – basta pensar no próprio Forrest Gump e em sua trilogia De Volta para o Futuro.

Ele também é fascinado, há muito tempo, pela inovação digital, o que explica os assustadores manequins animados, criados usando atores reais e tecnologia de captura de movimento, em O Expresso Polar (2004), A Lenda de Beowulf (2007), Os Fantasmas de Scrooge (2009) e no profundamente estranho Benvindos a Marwen (2018).

Quanto a Hanks, ele parece tranquilo sobre poder interpretar personagens jovens até morrer — e talvez depois.

No podcast Adam Buxton, no ano passado, ele contou que quando fez O Expresso Polar com Zemeckis, eles perceberam que não havia limite para o que o tal truque computadorizado poderia fazer.

"Qualquer um pode se recriar agora, em qualquer idade, por meio de IA ou tecnologia deep-fake. Eu poderia ser atropelado por um ônibus amanhã e pronto, mas as performances podem continuar e continuar e continuar e continuar. Fora do entendimento de IA e deep-fake, não haverá nada que diga que não sou eu e somente eu."

É inquietante pensar que, a longo prazo, superestrelas de verdade podem ser substituídas por seus sósias de IA, e que, a curto prazo, o rejuvenescimento pode permitir que veteranos da geração de Hanks continuem interpretando papéis que deveriam, por direito, ser dados a atores mais jovens.

Mas isso poderia facilmente acontecer: num intervalo de menos de 20 anos, o rejuvenescimento deixou de ser uma novidade ridicularizada para se tornar uma ferramenta útil para a produção de filmes.

Em 2006, artistas de efeitos visuais rejuvenesceram Patrick Stewart e Ian McKellen pixel por pixel em X-Men: O Confronto Final, e a reação mais comum foi um sorriso irônico sobre o quão brilhantes e robóticos eles pareciam.

A tecnologia foi empregada com moderação por anos em fantasias de ficção científica como O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) e Tron: O Legado (2010). Até que, em 2019, foi um componente-chave de vários filmes relevantes.


Para ler a notícia na íntegra: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx92j4kj0y5o

Veja o trailer aqui: https://www.youtube.com/watch?v=jGY2Jm-KHwo